quarta-feira, 20 de julho de 2011

Alimentação anticâncer

Está provado: certos alimentos têm o poder de proteger o organismo contra o câncer, da mesma forma como há os que favorecem o desenvolvimento da doença. Proteger, neste caso, significa apenas reduzir nossas chances de ter um câncer, e não uma prevenção absoluta. Mas em relação a certas modalidades de câncer, como o colorretal, a influência da alimentação é quase decisiva. Hoje em dia se sabe, por exemplo, que existe uma relação direta entre o consumo de carne vermelha em excesso e a doença (ver mais sobre carne vernelha abaixo).

Segundo Ana Elisa de Paula Brandão, nutricionista do hospital de oncologia Amaral Carvalho, em Jaú (SP), alterar a dieta chega a ser uma necessidade e não uma opção para as pessoas que têm predisposição genética para contrair o câncer colorretal. De acordo com ela, a alimentação é fundamental tanto na prevenção quanto na complementação do tratamento, depois da doença declarada. “Com as mudanças alimentares corretas conseguimos aumentar o número de antioxidantes em nosso corpo, o que ajuda os pacientes”, afirma.

Como se sabe, são os antioxidantes (como o betacaroteno, a vitamina C e a vitamina E) que combatem os radicais livres responsáveis pelo envelhecimento e degeneração do organismo. E evidências científicam mostram que eles reduzem diretamente o risco de câncer colorretal ao proteger a membrana das células intestinais dos efeitos dos radicais livres. “As frutas e vegetais são as principais fontes desses antioxidantes naturais e não devem faltar na dieta de todo mundo, não apenas as dos pacientes com câncer”, reforça a nutricionista. Mas, para estes e para os predispostos à doença em razão de outros fatores, genéticos ou não ( a exemplo do cigarro), tornam-se ainda mais importantes. “Recomendamos também o consumo de aveia, linhaça, vegetais folhosos escuros, soja e uma dieta variada”, diz Ana Elisa.

A alimentação também influencia na prevenção do câncer de outras maneiras. A gordura corporal, por exemplo, é considerada hoje um dos principais fatores de risco da doença. Um dos cânceres mais associadops à obesidade é o de mama, porque o aumento de tecido gorduroso aumenta também os níveis de estrogênio, hormônio que influi no desenvolvimento do câncer, no sangue. Outra confirmação vem de pesquisas realizadas com mulheres vegetarianas, cuja dieta é mais rica em fibras, o que provoca redução do nível de estrogênio no sangue. Foi constatao que as vegetarianas desenvolvem menos câncer de mama. Já entre os homens verifica-se uma relação entre a obesidade e o câncer de próstata, sendo a gordura um de seus fatores.

Nos Estados Unidos, a fundação Antiogenesis lançou a iniciativa Eat to Defeat (ou seja, Comer para Vencer), que orienta pessoas sobre os alimentos que ajudam no combate ao câncer. De acordo com a fundação, você deve escolher no mínimo um alimento anticâncer para incluir em cada refeição.

Carne vermelha

Vários estudos já comprovaram a relação entre a incidência de câncer colorretal e o consumo da carne vermelha. Um deles, realizado pela American Cancer Society em 2005, mostrou uma relação assustadora: quem come muita carne vermelha tem de 30% a 40% mais chances de desenvolver câncer de cólon do que os que comem em quantidades moderadas – segundo os médicos, até duas vezes por semana.

Com relação à fase de tratamento, uma equipe do Instituto do Câncer Dana-Farber de Boston também constatou um nível três vezes menor de reincidência da doença entre pacientes que adotaram uma dieta totalmente sem carne vermelha (à base de peixes, legumes e frutas), em relação aos que prosseguiram ingerindo o alimento.

Peixes e aves

Da mesma forma, um estudo realizado em Atlanta detectou que o consumo apenas de peixes e aves, a longo prazo, reduz os riscos de incidência do câncer colorretal. Outra pesquisa feita pelo European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition (EPIC) chegou a uma conclusão bastante interessante associada apenas ao consumo de peixe. Foram analisadas 500 mil pessoas, de 10 países europeus, em cuja dieta o peixe já era presente ou foi sendo introduzido até chegar ao nível de, no mínimo, 80 gramas diárias. A carne e outros itens não foram retirados da alimentação.

Nessa pesquisa, de muito longo prazo, os pesquisadores constataram que o grupo seus analisados apresentou 31% menos incidência de câncer que a população em geral.

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